Peça no CCJF traz
Padre Cícero encarando a própria morte no espetáculo “Cícero - a Anarquia de um
Corpo Santo”, de Samir Murad
Solo teatral premiado que investiga o mito do
“Padim Ciço” e que traz reflexões sobre política e religião, entra em cartaz
Teatro do CCJF na Cinelândia, em junho
Ao colocar Padre Cícero diante da Morte,
o espetáculo tem como proposta principal, fazer uma retrospectiva poética de
sua vida, suscitando reflexões sobre o entrelaçamento da Igreja e da Política
na sociedade contemporânea. Trazemos em sua humana complexidade, a figura desse
mito que paira soberano, enquanto luta para não morrer.
Discutimos
o conceito de ancestralidade ao fazer Cícero passear pela
pré-história do Cariri, onde seu corpo é tomado por entidades, animais e
acidentes geográficos. Antevê ainda conflitos na cidade que um dia ajudou a
fundar. Suas memórias sugerem um ajuste de contas consigo, com os outros e com
Deus.
Com
a Beata Maria do Araújo que sangrou a hóstia, tocamos na questão do
rebaixamento da figura feminina em função de sua negritude e
pobreza, diante da supremacia masculina da Igreja.
Critica-se
ainda a cultura machista que pontua a narrativa assim como o preconceito
do etarismo ao valorizar o poder e o saber do velho na figura de Cícero.
Valendo-se
de referências do teatro oriental, em consonância com o pensamento de Antonin
Artaud, nossa principal referência de pesquisa de linguagem e privilegiando
a figura do Ator, o espetáculo utiliza-se da fisicalidade do BUTOH ,
uma espécie de teatro-dança japonês, assim como de conceitos extraídos do LIVRO
TIBETANO DOS MORTOS, ambos tendo no estudo da Morte sua fonte de
investigação artística e espiritual.
O Cariri no Ceará, é uma região rica de
lendas, mitos, sagas familiares e cima de tudo de uma religiosidade singular,
devido ao fato de ali ter nascido e vivido a figura emblemática do Padre Cícero.
Ali através de festivais e comemorações
diversas, há um notável encontro da tradição e do contemporâneo. É nesse
universo poético como os versos cantados de um repentista, que Padim
será desconstruído, a partir da uma evocação de um homem cheio de contradições,
por trás da aparente impavidez do mito.
Nessa
atmosfera de realismo fantástico, o espectador tomará contato com a memória
desse pedaço do Brasil , assim como com, a trajetória de Cícero,
tirando suas próprias conclusões e permitindo-se uma reflexão acerca de sua própria
experiência religiosa e política.
“Se fui expulso da Igreja por uma decisão política, foi na política que
tive de me decidir
para trazer de volta a minha religião”
Sobre Samir Murad
Ator
de teatro, cinema e televisão, autor e professor. É formado pela UNIRio, com
pós-graduação na UFRJ, com mestrado também pela UNI-RIO. No cinema, participou
de diversos longas e curtas metragens nacionais premiados. Na televisão, fez
inúmeras participações na TV Globo, TV Record, Netflix e Canal Brasil.
Trabalhou como dublador na Herbert Richers. Foi Professor da Faculdade da
CAL. Fundou a companhia teatral
Cambaleei, mas não caí..., que tem, em Antonin Artaud sua principal
referência de pesquisa de linguagem cênica, inaugurada com o texto
infantojuvenil de sua autoria Além da lenda do Minotauro, que também
dirigiu e que foi publicado. No teatro atuou sob a direção de Augusto Boal,
Bibi Ferreira, Sérgio Britto, Miguel Falabella, Paulo de Moraes, Sidnei Cruz e
Gustavo Paso entre outros. Em 2001 encenou seu primeiro trabalho solo Para
acabar de vez com o julgamento de Artaud e segundo a crítica de O Globo,
foi um dos dez melhores espetáculos do ano. Em 2008 escreveu e encenou seu
segundo solo, Édipo e seus duplos, também publicado. Em 2017, encenou, também de sua autoria O
cão que sonhava lobos, um solo musical infantil, publicado com ilustrações.
Em 2019 protagonizou a encenação de Educação Siberiana e estreou seu
terceiro solo, Cícero – A anarquia de um Corpo Santo, que encerra a
trilogia Teatro, Mito e Genealogia e que também virou livro. Em 2020
integra o elenco da novela Genesis da TV Record e apresenta seu primeiro
livro de poemas e crônicas intitulado O Retorno de Netuno. Em 2022 atua
em O Alienista, sob direção de Gustavo Paso, sucesso de público e
crítica e em 2023 integrou o elenco da novela Terra e Paixão da TV Globo
e estrou seu mais recente solo O Cachorro que se Recusou a Morrer, que
continua que coroa como um fechamento de
percurso a mencionada trilogia. Em 2025 apresentou a Mostra Retrospectiva
“Teatro Mito e Genealogia”, com seus quatro monólogos em cartaz: “Para acabar
de vez com o julgamento de Artaud”, “Édipo e seus duplos - ou porque dois é
igual a três”, “Cíciero - a anarquia de um corpo santo” e “O cachorro que se
recusou a morrer”. Membro Honorário do Grêmio Literário Internacional Poesiarte.
SERVIÇO
CÍCERO - A ANARQUIA DE UM CORPO SANTO
Criação,
texto e atuação: Samir Murad
De
2 a 30 de junho (terças e quartas) às 19 h
Debate
pós-peça: toda terça-feira, durante 30 minutos
Não
haverá espetáculo na quarta dia 24/jun
Teatro
do CCJF: Av. Rio Branco, 241 - centro / metrô estação Cinelândia
70
minutos | 14 anos | Ingressos: R$40,00 e R$20,00 (meia entrada) - via Sympla ou
bilheteria do teatro
FICHA TÉCNICA
Criação,
texto e atuação: Samir Murad
Direção:
Daniel Dias da Silva
Cenário
e figurino: Karlla de Luca
Trilha
sonora: André Poyart e Samir Murad
Desenho
de luz: Russinho e Francisco Hashigushi
Operação
de luz e som: Francisco Hashigushi
Assessoria
de Imprensa e media Social: Rodolfo Abreu | Interativa Doc
Programação
visual: Redson Pereira
Fotos: Fernando Valle
Produção
executiva: Wagner Uchoa
Apoio
Logístico: Fernando Alax Casa 136
Realização:
Cia.Cambaleei, mas não caí...
Instagram: @samirmurad.ator
Facebook: Samir Murad

Nenhum comentário:
Postar um comentário