sábado, 16 de maio de 2026

DIVULGANDO CULTURA!

Samir Murad é Membro Honorário do GLIP.
 

Peça no CCJF traz Padre Cícero encarando a própria morte no espetáculo “Cícero - a Anarquia de um Corpo Santo”, de Samir Murad

 

Solo teatral premiado que investiga o mito do “Padim Ciço” e que traz reflexões sobre política e religião, entra em cartaz Teatro do CCJF na Cinelândia, em junho

  

Ao colocar Padre Cícero diante da Morte, o espetáculo tem como proposta principal, fazer uma retrospectiva poética de sua vida, suscitando reflexões sobre o entrelaçamento da Igreja e da Política na sociedade contemporânea. Trazemos em sua humana complexidade, a figura desse mito que paira soberano, enquanto luta para não morrer.

 

Discutimos o conceito de ancestralidade ao fazer Cícero passear pela pré-história do Cariri, onde seu corpo é tomado por entidades, animais e acidentes geográficos. Antevê ainda conflitos na cidade que um dia ajudou a fundar. Suas memórias sugerem um ajuste de contas consigo, com os outros e com Deus.

Com a Beata Maria do Araújo que sangrou a hóstia, tocamos na questão do rebaixamento da figura feminina em função de sua negritude e pobreza, diante da supremacia masculina da Igreja.

Critica-se ainda a cultura machista que pontua a narrativa assim como o preconceito do etarismo ao valorizar o poder e o saber do velho na figura de  Cícero.

Valendo-se de referências do teatro oriental, em consonância com o pensamento de Antonin Artaud, nossa principal referência de pesquisa de linguagem e privilegiando a figura do Ator, o espetáculo utiliza-se da fisicalidade do BUTOH , uma espécie de teatro-dança japonês, assim como de conceitos extraídos do LIVRO TIBETANO DOS MORTOS, ambos tendo no estudo da Morte sua fonte de investigação artística e  espiritual.

 O Cariri no Ceará, é uma região rica de lendas, mitos, sagas familiares e cima de tudo de uma religiosidade singular, devido ao fato de ali ter nascido e vivido a figura emblemática do Padre  Cícero. 

 Ali através de festivais e comemorações diversas, há um notável encontro da tradição e do contemporâneo. É nesse universo poético como os versos cantados de um repentista, que Padim será desconstruído, a partir da uma evocação de um homem cheio de contradições, por trás da aparente impavidez do mito.

Nessa atmosfera de realismo fantástico, o espectador tomará contato com a memória desse pedaço do Brasil , assim como com, a trajetória de Cícero, tirando suas próprias  conclusões  e permitindo-se  uma reflexão acerca de sua própria experiência religiosa e política.

 

“Se fui expulso da Igreja por uma decisão política, foi na política que tive de me decidir

para trazer de volta a minha religião”

  

                                                             

Sobre Samir Murad

Ator de teatro, cinema e televisão, autor e professor. É formado pela UNIRio, com pós-graduação na UFRJ, com mestrado também pela UNI-RIO. No cinema, participou de diversos longas e curtas metragens nacionais premiados. Na televisão, fez inúmeras participações na TV Globo, TV Record, Netflix e Canal Brasil. Trabalhou como dublador na Herbert Richers. Foi Professor da Faculdade da CAL.  Fundou a companhia teatral Cambaleei, mas não caí..., que tem, em Antonin Artaud sua principal referência de pesquisa de linguagem cênica, inaugurada com o texto infantojuvenil de sua autoria Além da lenda do Minotauro, que também dirigiu e que foi publicado. No teatro atuou sob a direção de Augusto Boal, Bibi Ferreira, Sérgio Britto, Miguel Falabella, Paulo de Moraes, Sidnei Cruz e Gustavo Paso entre outros. Em 2001 encenou seu primeiro trabalho solo Para acabar de vez com o julgamento de Artaud e segundo a crítica de O Globo, foi um dos dez melhores espetáculos do ano. Em 2008 escreveu e encenou seu segundo solo, Édipo e seus duplos, também publicado.  Em 2017, encenou, também de sua autoria O cão que sonhava lobos, um solo musical infantil, publicado com ilustrações. Em 2019 protagonizou a encenação de Educação Siberiana e estreou seu terceiro solo, Cícero – A anarquia de um Corpo Santo, que encerra a trilogia Teatro, Mito e Genealogia e que também virou livro. Em 2020 integra o elenco da novela Genesis da TV Record e apresenta seu primeiro livro de poemas e crônicas intitulado O Retorno de Netuno. Em 2022 atua em O Alienista, sob direção de Gustavo Paso, sucesso de público e crítica e em 2023 integrou o elenco da novela Terra e Paixão da TV Globo e estrou seu mais recente solo O Cachorro que se Recusou a Morrer, que continua que coroa  como um fechamento de percurso a mencionada trilogia. Em 2025 apresentou a Mostra Retrospectiva “Teatro Mito e Genealogia”, com seus quatro monólogos em cartaz: “Para acabar de vez com o julgamento de Artaud”, “Édipo e seus duplos - ou porque dois é igual a três”, “Cíciero - a anarquia de um corpo santo” e “O cachorro que se recusou a morrer”. Membro Honorário do Grêmio Literário Internacional Poesiarte. 

SERVIÇO

CÍCERO - A ANARQUIA DE UM CORPO SANTO

Criação, texto e atuação: Samir Murad

De 2 a 30 de junho (terças e quartas) às 19 h

Debate pós-peça: toda terça-feira, durante 30 minutos

Não haverá espetáculo na quarta dia 24/jun

Teatro do CCJF: Av. Rio Branco, 241 - centro / metrô estação Cinelândia

70 minutos | 14 anos | Ingressos: R$40,00 e R$20,00 (meia entrada) - via Sympla ou bilheteria do teatro

 

FICHA TÉCNICA

Criação, texto e atuação: Samir Murad

Direção: Daniel Dias da Silva

Cenário e figurino: Karlla de Luca

Trilha sonora: André Poyart e Samir Murad

Desenho de luz: Russinho e Francisco Hashigushi

Operação de luz e som: Francisco Hashigushi

Assessoria de Imprensa e media Social: Rodolfo Abreu | Interativa Doc

Programação visual: Redson Pereira
Fotos: Fernando Valle

Produção executiva: Wagner Uchoa

Apoio Logístico: Fernando Alax Casa 136

Realização: Cia.Cambaleei, mas não caí...

Instagram: @samirmurad.ator 

Facebook: Samir Murad

 


 

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